
Olho lá para fora, para as janelas que abri. As portadas são grandes, a paisagem olha para mim e eu para ela, como se trocassemos cumprimentos. Concentro-me. Espero ver o verde das folhas reflectindo o brilho do sol, ouvir a harmoniosa melodia dos pássaros passageiros num corropio constante e deixar-me envolver por essa concertada dança. Mas não. Para mim vestiu as folhas de castanho a combinar com os troncos das imponentes árvores e colocou o chapéu cinza, num tom tão escuro que esconde a luz do sol. Mas eu ainda há pouco o vi?!! Já não ouço o bater das asas nem o canto do canário. Julgava eu ter visto. Afinal não foram as cortinas que ofuscaram, os vidros que mascararam ou as folhas que taparam. Tudo estava ali, nu e cru. E continua a estar. A paisagem é a mesma, os olhos é que não.



