
Olho pela janela, por onde as gotas apoiadas no vidro brincam e escorregam sem trajecto definido. Passeio os olhos à minha volta. A água da chuva desce a berma da estrada. Imparável, enérgica, fria. Contrapõe-se ao cinzento pachorrento que a rodeia e que convida a um dia de descanso, de leituras, de memórias. É um cinzento escuro, triste. Tenta-me contagiar nessa melancolia insistente. Mas não. Desta vez não consegue. Diria que desta vez sou eu quem irradia o sorriso, a luz e o calor. A cumplicidade, hoje, está entre mim e o sol. E desta vez, contrariamente ao habitual, sou eu quem o tenta contagiar. A ele. Ao dia.
O raio de sol rompeu o cinzento. E eu.... eu sorrio :-)